Ministério da Cultura e Secretaria de Cultura do DF apresentam
Banco do Brasil apresenta e patrocina

Em cartaz de 7 de novembro a 30 de dezembro. Entrada franca

Apanhado de obras do artista retrata a Belle Époque francesa na primeira década do Século XX

Centro Cultural Banco do Brasil Brasília recebe a exposição Cândido de Faria – Um Brasileiro em Paris, do dia 7 de novembro ao dia 30 de dezembro, uma coletânea de 18 cartazes produzidos pelo artista para a companhia Cinematográfica Phaté, maior produtora de cinema da época. Com curadoria de Germana Araújo, a exposição faz um resgate cronológico de obras do acervo impresso em litografia, entre 1902 e 1911. A mostra faz parte do 10º Lobo Fest – Festival Internacional de Filmes.

Além da exposição, o CCBB Brasília recebe também lançamento do livro Cândido de Faria um ilustrador sergipano  das artes aplicadas, de Germana Araújo, o primeiro apanhado de obras do artista durante diferentes períodos da sua vida resgatados pela autora. Germana é professora doutora do Departamento de Artes e Design da Universidade de Sergipe e já apresentou o livro bilingüe também na Fundação Pathé em Paris, em março de 2018.

Cândido Aragonez de Faria foi um ilustrador e publicitário, tido hoje como um dos maiores caricaturistas e ilustradores do Brasil e um dos maiores do seu tempo, produzindo centenas de peças de humor e publicidade por 45 anos. Como cartazista e ilustrador, Faria contribuiu para dar um rosto característico ao vibrante período entre o final do século XIX e início do século XX, chamado de Belle Époque, francesa e à boemia parisiense, povoada de artistas e intelectuais, em um momento em que Paris se tornava o mais dinâmico e progressista centro cultural do Ocidente.

Faria nasceu em Laranjeiras, Sergipe, em 1849 e estudou na Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro. Sagaz e exímio caricaturista, Faria retratou em seu traço as articulações políticas e caracterizações da sociedade ao seu tempo. Trabalhou também em praças como Porto Alegre e Buenos Aires, na Argentina.

Foi em Paris, para onde se mudou em 1882, que Cândido de Farias passa a atuar como artista de comunicação e entretenimento, em criações para casas de shows e música. Em 1902, dá início à parceria com a produtora de cinema Pathé, com grande volume de produção, cerca de 9 mil cartazes impressos em litografia a cada três meses. A parceria perdura e Faria dedica-se exclusivamente a essa produção até o seu falecimento, em 1911.

Entre as obras da exposição, cartaz para o filme “As vítimas do alcoolismo” (Les Victimes de l’Alcoolisme), de 1902, uma ilustração e composição de Cândido de Faria para o cartaz do filme “Vida e Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo” (“Vie et passion de Notre Seigneur Jésus-Christ”), um dos filmes de maior público da época, e ilustração para o cartaz do filme “Sous La Terreur”, uma de suas últimas obras.

Lista de obras da Mostra 

1902 –Cartaz para o filme “Les Victimes de l’Aalcoolisme”, de Cândido de Faria (primeira demanda de Faria para a produtora francesa de cinema Pathé). Litografia 120 x 160 cm.

1905 –Ilustração de Cândido de Faria para o cartaz do filme “Combat naval russo-japonais”. Litografia: 120 x 160 cm, impressa pelo Ateliê Faria. O filme trata da disputa por terras coreanas entre russos e japoneses antes da Primeira Guerra.

1905 – Ilustração de Vincent Lorant-Heilbronn para o cartaz do filme “Le Petit Poucet”. Litografia: 160 x 120 cm.

1905 – Similar à aparência de plantas, a “nova arte” ou Art Nouveau foi a base para os artistas que buscavam formas novas e sensíveis para o desenho. Cartaz publicitário para o filme “Antre infernal – Velle” (1905). Litografia: 120 x 160 cm.

1906 – Cartaz para a publicidade de filmes, 1906. Segundo a ficha técnica, apresentada no site da Pathé, este cartaz foi ilustrado por Cândido de Faria, composto e impresso no Ateliê Faria. Esse cartaz apresenta seis filmes exibidos em 1906. Litografia: 160 x 240 cm.

1906 –Cândido de Faria, ilustração para o cartaz do filme “Voyage autour d’une étoile”. Litografia: 120 x 160 cm.

1906 –Cartaz para a publicidade de sete filmes, 1906. Segundo a ficha técnica, apresentada no site da Pathé, este cartaz foi ilustrado por Cândido de Faria, composto e impresso no Ateliê Faria. Litografia: 160 x 120 cm.

1906 –Cândido de Faria, ilustração para o cartaz do filme “L’obsession de l’or”, 1906. Este cartaz anuncia treze filmes. Litografia: 120 x 160 cm.

1906 –Ilustração de Cândido de Faria para o cartaz do filme “La Couse a la Perruque”. Litografia: 120 x 160 cm.

1907 –Ilustração de Cândido de Faria para o cartaz do filme “L’ascension du mont Blanc”. Litografia: 160 x 160 cm.

1907 – Cartaz publicitário de Cândido de Faria para o filme “Les Vieux Marcheurs”. Litografia: 160 x 120 cm.

1907 – Ilustração e composição de Cândido de Faria para o cartaz do filme “Vie et passion de Notre Seigneur Jésus-Christ” (“Vida e Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”). Litografia: 240 x 160 cm. Este filme está na lista, da historiografia da Pathé, dos que fizeram bastante sucesso diante de um grande público.

1908 –Cândido de Faria, ilustração para o cartaz publicitário “Tout le monde y passe” (“A obsessão do ouro”). Litografia: 160 x 120 cm

1908 –Ilustração de Cândido de Faria para o cartaz publicitário do filme “Oiseaux savants”, 1908. Litografia 76 x 113 cm.

1909 – Cândido de Faria, ilustração para o cartaz do filme “Deux bons amis”, 1909. Litografia: 160 x 120 cm. Os atores passam a ser filmados mais de perto para tornar mais visíveis suas expressões faciais.

1910 –Cândido de Faria, ilustração para o filme “La Geisha”. A “The Japanese Art Film” é a produtora de filmes que corresponde à filial da Pathé Oriental. Litografia: 160 x 120 cm.

1910 –Cândido de Faria, ilustração e composição para o filme “Tragique aventure de Robert le Taciturne Duc d’Aquitaine”, 1910. Litografia: 160 x 120 cm. Neste cartaz, aspectos da Idade Média foram evocados para compor a ilustração.

1910 – Cândido de Faria, ilustração para o cartaz do filme “Sous La Terreur”. Litografia: 160 x 120 cm.